O CAOS DA COVID EM PORTUGAL

Confinados desde o início da pandemia, o que fez de Portugal sair de exemplo e passar a ser o pior em número de casos de covid-19 

Centro de Pesquisas e Análises Heráclito divulga estudo que explica como são contabilizados os casos em Portugal em comparação aos demais países

Portugal viu a sua situação pandêmica ficar descontrolada neste último mês. Após ter ultrapassado 2020 com poucos casos, pouca mortalidade e com relativa serenidade, 2021 começou de forma muito diferente.

O que mudou para alterar dramaticamente o cenário? Por que razão Portugal passou de um país exemplar para o pior país em número de casos e mortes por cada 100 mil habitantes?

O CPAH – Centro de Pesquisas e Análises Heráclito fez uma pesquisa envolvendo entrevista a 100 pessoas de várias zonas do pais e análises de dados nacionais e internacionais.

Portugal é um país pequeno com pouco mais de 10 milhões de habitantes que, em março do ano passado, se confinou mesmo antes da ordem do governo. Esta ação rápida fez com que a primeira onda não tomasse as proporções vistas nos seus vizinhos europeus. Por meses os portugueses obedeceram as regras e todo o comércio, depois de meses encerrado, voltou renovado e envolto em extremas medidas de higiene e segurança. O verão chegou e parecia que o pior teria ficado para trás embora os avisos fossem constantes e, mesmo em pleno calor, a máscara foram adotadas sem grandes consternações. Impunha-se o regresso à escola dos milhares de alunos que nos últimos meses estiveram em regime de ensino online. Vozes contra e vozes a favor da decisão se levantaram. Há sensivelmente 15 dias o ensino parou de novo com uma crescente onda de novos casos. Foram as festas familiares que descontrolaram todo um país. O natal e o final de ano ditaram a mudança do destino. Os governantes sabiam que os números iam crescer da mesma forma que regras rigorosas nesta altura não resultariam. Portugal é um país familiar, país de emigrantes, que tem o Natal como ponto central da vida familiar e da reunião daqueles que durante meses não se veem. Portugal tentou, em cima da linha, fazer um equilíbrio difícil entre um controle de casos e a sobrevivência de uma economia já frágil. E depois chegou o cansaço.

Como explica o doutor em neurociências e psicologia luso brasileiro Fabiano de Abreu, membro fundador e sócio do CPAH, “o segundo confinamento está sendo mais duro com os portugueses. A população está cansada e a ansiedade constante chegou a um momento preocupante. Há a constante sombra da incerteza. Contrariamente ao Brasil as regras aqui foram duras e duram até hoje. Com mais ou menos restrições aqui a vida nunca voltou a nada semelhante ao normal. No natal e final de ano as pessoas relaxaram e, infelizmente, foram multiplicando os focos de infecção”, relata. Abreu acrescenta ainda que, “os números eram crescentes, mas a circulação de pessoas, muitas delas vindas do estrangeiro, na altura das festas fez disparar os números. Também o relaxamento referente ao instinto, que motivado pela ansiedade leva a busca pela saída da rotina. Chamo de momento imagem e crença, onde a necessidade da liberação da dopamina e a adaptação ao momento sem impactos que chamam atenção, causam descrédito.”

Às pessoas entrevistadas para análise, foi perguntado de que forma explicam o aumento de casos depois de meses de sucesso. 60% dos entrevistados sinalizaram as festas familiares e sobretudo o ajuntamento de jovens no final do ano. 23% acreditam que as regras do novo confinamento não foram cumpridas como expectável ou que, regras erradas fizeram com que as pessoas saíssem de casa em maior concentração nos horários permitidos para circulação. Os restantes 17% culpam o ensino e a abertura das escolas, defendendo que deveria ter sido online desde o início do ano letivo.

Neste momento, Portugal é recordista em casos e mortalidade por 100 mil habitantes em todo o mundo. Contudo, serão estes números tão lineares assim? Seriam se a contabilização de mortes e a realização de testes fossem feitas na mesma medida. Isto não acontece. Portugal é dos países que mais testa no mundo, inclusive muitos deles são de rotina, ou seja, testam as pessoas que não apresentam nenhum sintoma. Muitas empresas, câmaras municipais, escolas e outras instituições procedem a testes para controlarem possíveis surtos. É, portanto, natural que o número de casos detetados seja maior. Outro ponto se prende com a contabilização da mortalidade. Mesmo na europa os países não seguem todos o mesmo critério.

Joana Freitas, arqueóloga portuguesa membro do CPAH explica esse critério, “a mortalidade não é considerada segundo igual padrão. Em Portugal, desde que positivo para a COVID 19 esteja em meio hospitalar ou não, a morte é considerada como se devendo à SARS-CoV2 mesmo que morra de outra complicação associada. O mesmo não se aplica noutros países. Inglaterra por algum tempo só contabilizou mortes ocorridas em hospitais, na Alemanha por exemplo, num lar de idosos que ocorra um surto e existam mortes antes dos testes, essas não são contabilizadas. Já na Bélgica basta a suposição médica para que conte como morte covid 19. Em Espanha não são contabilizadas as mortes em lares de idosos, nem sequer as mortes em casa, caso não tenham sido feitos previamente exames de diagnóstico. E mais exemplos podem ser tidos em conta se alargarmos a escala. Os números totais não se regem pelas mesmas regras.”

CARAVANA CULTURAL CIRCULA DE KOMBI NO RIO

Em meio a pandemia, alegria e diversão infantil, cultura e todos os cuidados necessários para evitar o contágio e a propagação da covid-19.


Caravana Cultural do grupo teatral Gira Cia Andante, circula de Kombi por dez regiões do estado do Rio de Janeiro, apresentando o espetáculo “A História de um Camaleão”.
A história é um espetáculo infantil para crianças de todas as idades. Através de músicas e brincadeiras, os atores apresentam de forma lúdica, essa narrativa que ilustra para as crianças (e para os adultos também) a importância de serem felizes com suas escolhas. É uma obra adaptada do livro “Bom Dia Todas as Cores” da escritora Ruth Rocha, permeada de cantigas populares (tocadas ao vivo) que estimulam o público a cantar junto. Os figurinos são coloridos como a história propõe e possui máscaras orgânicas feitas a partir de materiais e artesanatos da Floresta Amazônica: cuias, trançados de palha e cestos produzidos por comunidades ribeirinhas do Rio Tapajós, no Oeste do Pará. O vídeo do espetáculo que será disponibilizado no YouTube tem como público-alvo todas as crianças (inclusive as com deficiência visual e auditiva).
O espetáculo passa por: Miguel Pereira, Valença, Paraty, Japeri, Rio de Janeiro, Niterói, Armação dos Búzios, Macaé, Santo Antônio de Pádua e Cordeiro. As apresentações serão realizadas gratuitamente, em espaços públicos,seguindo as medidas de segurança sanitária para o enfrentamento do COVID-19. A Caravana terá duração de vinte e um dias e será realizada nos meses de janeiro/fevereiro de 2020, com uma equipe composta pelos dois atores da Gira, um cinegrafista e uma produtora-executiva.

A Gira Cia Andante, o Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro, através da Lei Aldir Blanc apresentam Caravana do Sonho II. O projeto só existe por conta da lei de incentivo criada para auxiliar artistas brasileiros durante a pandemia.

AGENDA:
05/02/2021
Barra do Piraí, Vale do Ipiranga, 10h30min

Japeri – Apresentação On-line

06/02/2021
Bangu, Vila Olímpica, Jardim Bangu, 17h

07/02/2021
Niterói, Campo da Travessa Continental, Comunidade Santo Cristo, 17h

10/02/2021
Búzios, Praça do Inefi, Praia Rasa, 17h

Macaé – Apresentação On-line

14/02/2021
Santo Antônio de Pádua, Praça Pereira Lima, 17h

15/02/2021
Cordeiro, Parque de Exposições Raul Veiga, 17h